À procura do que me completará. Lendo o mapa rumo à felicidade.

25
Jul 08

Bem-estar, bom humor, cultura, beleza. Despreocupações.

Em breve.

 

***

 

A minha ausência não se prende com a espera por aquela boa altura para um recomeço. Não me estou a mentalizar para o futuro nem presa ao passado - estou simplesmente ausente de mim, quase.

 

Descobri acreditar que se pode morrer de agonia. De tristeza. E com isso concluí que só posso estar doente. E sim, puxo pelos Ornatos para dizer que é a doença onde julgava ver a minha cura.

 

Não sei lidar com os sentimentos. É uma confusão tão grande para mim que me assombram as náuseas e o nervosismo extremo. Sem razão aparente, que nisto de racionalismo impessoal consigo a auto-análise. Ataques de ansiedade, choro e pequenos fins do mundo têm feito parte do dia a dia em parceria com a apatia, vontade de mudança e não-concretização de planos. Por esta ordem. Fico depressiva com qualquer discussão. Com qualquer silêncio. E ele, longe, sem culpa nenhuma - o inocente rapaz mal imagina as dimensões da insegurança que a loucura catalisou!

 

Tenho psicóloga marcada para 26 de manhã. Veremos, mas estou com sérias esperanças, porque não aguento muito mais. É um aperto no peito que não quero. Os joelhos pesados, pernas irrequietas e suores constantes. Estou fisicamente afectada, meu deus - maldição para o dia em que desejei uma paixoneta. Tivesse-me ficado pelas minhas relações impessoais que, satisfatórias, poucos problemas até hoje me causaram.

 

Sou patética. Uma coisa tão natural como começar a gostar de alguém torna-se um pesadelo sentimental na medida em que estou prestes a explodir ou implodir, não sei qual será melhor.

 

É o medo da rejeição, digo secretamente. Não temo a "nega", mas a exclusão, o afastamento, a perda de cumplicidade, o facto de eu poder errar estragar tudo e perder um amigo. Nunca soube lidar com a rejeição. Nas mais pequenas coisas, basta aquela pequena sensação de exclusão ou perda de importância. Chega a ser condicionante, a paranóia. Tenho medo de ficar só, de ter trabalhado em relações sem sustentabilidade.

 

Não quero ficar assim, juro. Não quero que uma paixoneta, mal assumida cuja correspondência é silenciosa, me estrague as férias. Vem juntar-se depressivamente à falta de auto-estima, rejeição do biquíni, desânimo pela ausência de amizades na terra natal e tristeza pelos que estão longe.

 

Valem-me os melhores amigos. Porra - a única via para a sanidade mental, obrigada ;) Vale-me Paredes de Coura. E o tempo para me reformular. Para arrumar a cabeça, caramba!

publicado por Quase Eu às 01:14

14
Jul 08

Eu tou a ver que vai haver aqui um recomeço valente!

publicado por Quase Eu às 04:48

03
Jul 08

andar perdido
buscar à pressa qualquer peça passional
olhar no espelho e ver um rosto mal dormido
nada de transcendental
o olhar está envelhecido

as sextas-feiras
todas iguais, são ornamentos de pavão
sair vestido com roupa de ocasião
há mais de uma maneira
de agarrar a desilusão

só queria ser provido de ambição

só queria ter
maneira de evitar
acabar sempre assim

são muitos dias
a ver saídas p'rá vida convencional
e a desejar, no fundo, que ela seja igual
às de outros sempre iguais
com envelhecer natural

ficar confuso
andar às voltas com contas ao impossível
pensar à noite e a conclusão ser previsível
perder o sono e ideais
ficar só com ideias a mais

só queria ser provido de ambição

só queria ter
maneira de evitar
acabar sempre assim

esquecer o génio
fazer de conta que não consigo criar
criar maneira de parar de imaginar
evitar a frustração
deixar tudo por acabar

no tempo certo
calar a música, inventar uma desculpa
dizer que a voz morreu mas eu não tenho culpa
beber uns copos e afogar a vida inteira
ganhar um palco e preferir uma cadeira
olhar p'rás mãos e ver as duas bem vazias
adormecer e não esperar por novos dias
acordar tarde e desejar que seja escuro
queimar o ar com ar de quem não tem futuro

só queria voltar a ser
capaz de voltar a crer

só queria ter
vontade de acreditar
em qualquer coisa p'ra mim
 
 
(Diego Armés)
 
 

publicado por Quase Eu às 03:01
música: A

Não, não posso, não sou, não quero...

 

Vou pôr-me noutra pele, mudar o ponto de vista e empurrar-me na direcção certa. Porque eu não sou assim, apenas estou.

 

É mais fácil ser fraca. A vida é facilitada pela benevolência do outro e auto-comiseração. Não é, contudo, o que eu desejo. Quero lutar pela minha auto-estima. (Sim, nota-se totalmente que ando metida nos textos de auto-ajuda).

 

Caramba, porque é que não aceito os altos e baixos da vida e deixo esta mania de pensar que sou complicada?

 

Quero prespectivar e notar que nenhum dos meus ditos problemas é relevante. Quero viver e deixar viver. Sorrir pelas pequenas coisas. Deixar-me levar pelas gargalhadas. "Serenidade para aceitar as coisas que não posso mudar, coragem para mudar as que posso e sabedoria para perceber a diferença." Descomplexar-me e aceitar-me como sou. Aceitar os outros como são. Não esquecer para não ser esquecida. E fazer de mim a minha melhor amiga *piroseira grossa*. Aproveitar os maravilhosos amigos que tenho. Agradecer pela maravilhosa família. Apaixonar-me. Tentar, cair e levantar.me. Olhar para a balança. Ser saudável. Váá, nem tanto - deixar-me levar pelos prazeres da vida, mesmo pelos que me custem uns anos de vida, que se lixe! Dar o braço a torcer. Ser orgulhosa. Ser simpática. Ser sincera. Ser feliz.
 

E este sim, já foi um post terapêutico, que isto de me vir para aqui queixar não dá com nada!

publicado por Quase Eu às 02:40

"Have you ever confused a dream with life? Or stolen something when you have the cash? Have you ever been blue? Or thought your train moving while sitting still?"

(do filme Girl Interrupted)

 

Jé deixaram de conseguir pensar? Quer nas horas intermináveis cobertas pelas insónias ou durante os dias que mais precisariam de reflexão ou concentração nos livros? Já choraram sem razão que o justificasse no momento ou berrarem com um amigo que sabem que não o merecia?

 

Retóricas à parte, não sei o que se passa comigo. (Sei que não são os anos 60, antes fossem *sorriso*). Por razões que desconheço, o auto-piloto que me controla em alturas de maior pressão é quem mais me prejudica quando preciso de me manter nos carris. É quem me faz desistir de me esforçar, que sussurra o "desiste, não vale o esforço". Deixo-me ir abaixo e aturo tudo ao ar, com a justificação mais parva de me achar inconstante e por isso me achar no direito de me virar as costas.

 

Só que isso não é possível. No fim do dia fico eu comigo, ninguém pode estudar por mim, estampar-me um sorriso na cara, reciclar atitudes e prometer recomeços.

 

Estou profundamente nervosa pelo estudo que está por fazer e cuja validade termina dentro de pouco tempo. Só de olhar para o livro passo-me, de ouvir os meus colegas a falar sobre a matéria inquieto-me estupidamente. Perco a fome e mesmo assim enfardo. E é por esta situação picuinhas que só me apetece correr, correr, correr e correr até perder as forças. E depois continuar a correr até ver que escapei ao que tinha cá dentro.

 

É esquisito verificar que o sentido terapêutico esperado pelo post que escrevo não se verifica. São as saudades, as desilusões, a pressão, o inexplicável, que vencem. E, cigarro após cigarro, estou na mesma, inapaz de ir para casa com medo me encontrar, mas com a perfeita noção do absurdo que falo.

 

"Vai estudar mazé, pá!"   

 

Ts, mas entre isso e um dos escapes que sei ter é difícil a escolha, Não o faço conscientemente, mas tenho consciência disso. É  a estúpida sedução da apatia. Esconder-me debaixo dos lençóis, levantar-me apenas na penumbra para as necessidades mais básicas. E deixar-me viver passando o tempo. Queria eu.

 

 

publicado por Quase Eu às 01:41

30
Jun 08

A confusão na minha cabeça emaranhou-se totalmente, formando um nó gigante que é bem fácil de deixar num canto, esquecido. E "sem problemas" é muito mais fácil viver, claro. Estou constantemente entre essa apatia e o remorso de me ver tão cómoda nesse estado. Sei que não devia, mas prefiro não penar que pensar demais.

 

E hoje faltei ao exame. Já duas cadeiras foram ao tecto, atiradas por mim.

 

Ai, não sei mesmo o que ando a fazer de mim. Vá lá que hoje já dei um jeito à casa que estava nojentíssima! E vou marcar dentista e procurar nova psiq...já não era sem tempo. E vou estar com o meu pessoal em festa pelo aniversário de um amigo. E já estou bem de não estar em baixo.

 

publicado por Quase Eu às 16:15

Enche a mente de fumo

Por preferir o peso que provocou

E, assim, de cabeça cheia,

Não terá já ideia

De como a este ponto chegou.

 

Vive entre os extremos

De reflectir ou não o fazer.

Enverga pela facilidade

E escolhe ignorar a verdade

Por assim ser mais fácil viver.

 

Olhos abertos toda a noite

Esperam solucionar problemas.

Não escolhe éponta por onde se pegue

E ela, que é  quem mesmo teme,

Vive presa a si e aos seus dilemas.

 

Tudo porque, secretamente,

Julga mais difícil a normalidade.

E deambula entre escapes que odeia,

E em vez de viver, vagueia,

Entre o que idealiza e a normalidade.

 

publicado por Quase Eu às 16:09

25
Jun 08

Vinha actualizar isto, confesso. Pôr-vos a par da situação, dos meus altos e baixos e baixos e baixos; das minhas ideias de mudar de psicoterapeuta, de começar um romance auto-biográfico *gargalhadas*, da recente "estúpida canção que só eu ouvi",  de como ontem me voltei a cortar, de como amanhã vou à praia *medo* (hm, post de 5000 palavras que isto dava) - mas entre comentários e visitas a blogs, fiquei-me por uma tentativa já (não demasiado) tardia de inserção no círculo de meninas que me lêem.

 

Quem passar e se conseguir revêr no que escrevo, se quiser mostrar como entende ou não o que por aqui é dito, comente. Deixe a sua marca.

 

Quem já o fez mas é dono de um blogue privado, aceitem que peça humildemente permissão para vos ler, sendo que poderão encontrar-me em eu.quase.eu@gmail.com (seria isto, não).

 

A quem comentou sem resposta peço desculpa. Verão que a reciprocidade não melhora em frequência, mas a sinceridade de apreço que transmito nas respostas é genuina.

 

Um beijinho, inté*

publicado por Quase Eu às 03:51

12
Jun 08

Acho a loucura contagiante. De mim e dos outros - para eu própria. Revi há pouco o Girl Interrupted e o Prozac Nation e só eu sei o quanto me quiz juntar à insanidade que descrevem, sem olhar para trás pensando na tentativa de normalidade que vivo. Digo Não! à Bulimia sem pensar duas vezes, mas há ainda em mim resquícios suficientes para sentir a corrente dos comportamentos auto-destrutivos.

Eu sei o que é a ilogicidade aliada aos cortes, à apatia total, ao fumar e beber em demasia, à despreocupação pelas responsabilidades, ao sexo casual - e aceitar a sua falta de sentido penosa por ser uma maneira de viver e não só uma tentativa.

Custa, contudo. Para mim o simples facto de viver é complicado, em todas as dimensões, porque estamos sempre presos a nós mesmos, tendo sempre que "ser". Sei que "existir" numa manutenção das mais básicas exigências biológicas seria o suficiente; o problema é que pensamos, questionamos, imaginamos, desejamos. Estamos presos às escolhas de todos os dias e ao confronto com o mundo e connosco. 

Por vezes nem sei o que pensar, na ideia de que tudo o que se passar cá dentro me ir definir. Já vezes sem conta fiz metas para um "novo eu", numa de renovar quem não sei que sou, sempre sem sucesso - o que é fatigante, confesso. Acredito que as pessoas mudem, mas, como é dito no filme: "gradualmente, e depois, de repente." Não acordas num dia a pensar que não és normal. Apercebes-te que não o tens sido.

 

Anseio descobrir se todas as mudanças assim se dão.

publicado por Quase Eu às 22:46

Tenho um grande problema com o tempo. Não o controlo, como todagente parece fazer. Não a dimensão temporal em sí, que, para ser franca, considero humanamente infinita. Não a tríade Passado-Presente-Futuro. Mas sim os segundos, minutos, horas, dias, semanas, meses, anos. As datas, compromissos, planos que me escapam. Não tenho medo de envelhecer nem temo que perca oportunidade de determinadas vivências com o passar do tempo. O sentimento de impotência é, contudo, constante ao saber que nunca tenho o tempo que pareço precisar para chegar pontualmente ao que quer que seja - nunca é suficiente segundo a contagem cronológica definida por alguém que desconheço, mas que cruel seria!

 

Pareço viver num daqueles sonhos angustiantes em que queremos apanhar o autocarro e as nossas pesadas pernas não nos deixam sequer encurtar a distância que, nas possibilidades dos sonhos, até aumenta cada vez mais.

publicado por Quase Eu às 22:37

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