Bem-estar, bom humor, cultura, beleza. Despreocupações.
Em breve.
***
A minha ausência não se prende com a espera por aquela boa altura para um recomeço. Não me estou a mentalizar para o futuro nem presa ao passado - estou simplesmente ausente de mim, quase.
Descobri acreditar que se pode morrer de agonia. De tristeza. E com isso concluí que só posso estar doente. E sim, puxo pelos Ornatos para dizer que é a doença onde julgava ver a minha cura.
Não sei lidar com os sentimentos. É uma confusão tão grande para mim que me assombram as náuseas e o nervosismo extremo. Sem razão aparente, que nisto de racionalismo impessoal consigo a auto-análise. Ataques de ansiedade, choro e pequenos fins do mundo têm feito parte do dia a dia em parceria com a apatia, vontade de mudança e não-concretização de planos. Por esta ordem. Fico depressiva com qualquer discussão. Com qualquer silêncio. E ele, longe, sem culpa nenhuma - o inocente rapaz mal imagina as dimensões da insegurança que a loucura catalisou!
Tenho psicóloga marcada para 26 de manhã. Veremos, mas estou com sérias esperanças, porque não aguento muito mais. É um aperto no peito que não quero. Os joelhos pesados, pernas irrequietas e suores constantes. Estou fisicamente afectada, meu deus - maldição para o dia em que desejei uma paixoneta. Tivesse-me ficado pelas minhas relações impessoais que, satisfatórias, poucos problemas até hoje me causaram.
Sou patética. Uma coisa tão natural como começar a gostar de alguém torna-se um pesadelo sentimental na medida em que estou prestes a explodir ou implodir, não sei qual será melhor.
É o medo da rejeição, digo secretamente. Não temo a "nega", mas a exclusão, o afastamento, a perda de cumplicidade, o facto de eu poder errar estragar tudo e perder um amigo. Nunca soube lidar com a rejeição. Nas mais pequenas coisas, basta aquela pequena sensação de exclusão ou perda de importância. Chega a ser condicionante, a paranóia. Tenho medo de ficar só, de ter trabalhado em relações sem sustentabilidade.
Não quero ficar assim, juro. Não quero que uma paixoneta, mal assumida cuja correspondência é silenciosa, me estrague as férias. Vem juntar-se depressivamente à falta de auto-estima, rejeição do biquíni, desânimo pela ausência de amizades na terra natal e tristeza pelos que estão longe.
Valem-me os melhores amigos. Porra - a única via para a sanidade mental, obrigada ;) Vale-me Paredes de Coura. E o tempo para me reformular. Para arrumar a cabeça, caramba!